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Meus escritos são como grãos de areia, invisíveis entre outros, mas individuais, como eu.
Textos
Apontamentos da Viagem (4/5) – série Viajando por aqui e ali (30) 49- Da Bélgica até a Holanda é um pulinho só. Foi o que fizemos – de Bruxelas demos um pulinho e fomos cair na Holanda, ou Nederland, que quer dizer País Baixo.
50 – A Holanda é dividida em doze províncias – duas delas são chamadas de Holanda: a do Sul e a do Norte. Os habitantes das outras unidades não gostam de ser chamados de holandeses e sim de neerlandeses, o que seria a forma politicamente correta.
51- As vacas holandesas não são das Holandas – são de outra província, a Frísia. Por isso se der com os costados na Frísia não chame suas vacas de holandesas, mas sim de Frísias.
52 – Mata Hari a célebre dançarina espiã também era da Frísia.
53 – Nossa primeira parada na Holanda foi em Haia, a capital administrativa do país. Achei esquisito: Haia, capital político administrativa. Amsterdã – capital da Holanda. É como se a capital do Brasil fosse São Paulo, por ser a principal cidade do país. Mas a administração estivesse em Brasília.
54- Haia estava em festa: desfiles para homenagear os veteranos da Segunda Guerra Mundial. Arquibancadas armadas na rua para o desfile. Mas o mais emocionante sem dúvida foi o Desfile aéreo com aviões militares sobrevoando a cidade em vôos rasantes. Por um momento me senti dentro de uma guerra – com medo e vontade de me esconder.
55- Foi em Haia que o nosso baianinho nanico se agigantou e transformou-se em Águia; A águia de Haia, Rui Barbosa.
56- Amsterdã – uma cidade surpreendente por vários motivos. Listando: Os canais (Amsterdã também é a Veneza do Norte) As casas; são tortas. Ora para um lado, ora para o outro, ora inclinadas para frente ora para trás. Parecem que vão cair. Bicicletas: é impossível (para mim) viver ali – tem mais bicicletas do que gente. Elas estão por toda parte e têm preferência sobre tudo e todos. A cidade é cortada por ciclovias. Velhos, novos, crianças, ricos e pobres: parece que todo mundo anda de bicicleta. Elas buzinam e salve-se quem puder. Tem bicicleta estacionada em todos os lugares. Postes, muradas das pontes, calçadas, uma presas outras soltas e até danificadas. As bicicletas são o objeto mais furtado na cidade e eu nem entendi por que: se todo mundo tem, pra que roubar? O rio tem que ser limpo sempre porque elas são jogadas lá. Vai entender. Alguns transportes estranhos também circulam pela cidade, sempre adaptados a uma bicicleta. Funcionam como táxis e carrinhos de bebê – como se um carrinho de bebê fosse adaptado a uma bicicleta e lá vão as mães passeando com seus bebês. - O mercado das Flores: Amsterdã exporta para todo mundo e, pasmem: a maior exportação não é de tulipas, mas sim de rosas. – O Bairro Vermelho – esse sim é inacreditável: locais anunciando a venda de marihuana, sex shops e as vitrines com mulheres se exibindo, se oferecendo para o sexo. E nem pense que fica em um lugar escondido, isolado, não, não fica. Você vai caminhando calmamente por uma calçada qualquer, bares com mesas ao ar livre, e de repente você cai nele. Fantástico.
59- Marken: Fomos conhecer Marken, uma incrível aldeia de pescadores, de influência calvinista. Fomos com Walter e quando lá chegamos, por volta das dez horas, as pessoas começavam a se levantarem. Lá eles não fazem nada aos domingos: não trabalham e nem se divertem. Nem fazendo sexo. As únicas lojas abertas ficavam perto do ancoradouro e nos disse Walter: provavelmente são de católicos. Ele nos contou também que é costume em toda Holanda deixar as janelas sem cortinas ou com cortinas entreabertas – eles gostam que a gente veja o interior de suas casas. Ele disse que é para entrar a luz, e também para mostrar que nada têm a esconder (herança calvinista). A vilazinha tem apenas dois mil habitantes e vive da pecuária e da pesca. 60 –Voledam – A outra cidadezinha que visitamos foi Voledam, um pouco maior, 18 mil habitantes, mas ainda assim bem pitoresca, com pessoas usando trajes típicos e repleta de turistas. Sem dúvida nenhuma foi a Holanda o país que mais me surpreendeu e provavelmente terei muitas histórias para contar sobre esses poucos dias que ali passei.
Da série Viajando por aqui e ali (30)
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Maria Olimpia Alves de Melo |
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Publicado em 13/07/2010 às 21h22
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