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Meus escritos são como grãos de areia, invisíveis entre outros, mas individuais, como eu.
Textos
Avós Como todo mundo, eu tive duas avós. A mãe de meu pai, que se chamava Olímpia e que morreu quando eu tinha dois anos e a mãe de minha mãe, que se chamava Maria e que morreu quando eu tinha dezoito. Pouco sei da mãe do meu pai. Coisas vagas que nunca pude comprovar porque não convivi com ela – um nome nobre (Nogueira da Cunha – era herdeira do Barão de Cocais), nasceu rica, casou rica e morreu pobre por obra e graça de seu marido o Capitão Lybnitz Alves de Melo, artista e boêmio, que também nasceu rico, casou rico e morreu pobre por obra e graça de seus próprios destemperos. Minha avó, para sobreviver tornou-se colchoeira (fazia colchões de capim que ela mesma apanhava nos campos). Minha avó Maria, analfabeta por obra e graça do machismo de seu pai que não permitia as filhar aprender a ler e a escrever porque só serviria para desonrá-las. Minha avó nasceu,viveu e morreu pobre. Fazia doces coloridos que colocava na venda dos filhos para ganhar um dinheirinho extra. Doces que eu chamava de “Doces de papel crepom” porque era deles que extraia a tinta que os coloria. Delas herdei o nome que carrego com orgulho. Não posso dizer que amei minha avó Olimpia, não a conheci. Mas minha avó Maria eu amei, amo e amarei sempre. Ela está ainda comigo e embora nem eu mesma acredite muito nisso, ela nunca foi embora de vez. Passa uns tempos afastada, mas de repente reaparece. Eu digo, “oi,vó” e continuo a fazer o que estava fazendo. Ela olha e sorri e então vai embora. Já escrevi muito sobre ela, principalmente poemas e hoje, em homenagem ao dia em que todas as pessoas são estimuladas a se lembrarem de suas avós, vou republicar um poeminha singelo que coloquei aqui em 2007, o ano em que descobri o Recanto. MINHA AVÓ
Minha avó assava pães de queijo no forno de lenha do terreiro. Não me lembro de minha avó me dando um beijo, nenhuma outra carícia fazendo, disso não me lembro. Mas me lembro de que eu descia as escadas da cozinha, calçando tamancos bem, mas bem maiores do que eu, carregando as latas, umas sobre as outras, maior que uma rainha carregando no braços todo o poder deste mundo.
(Do livro inédito: Herança) http://encantodasletras.50webs.com/diadosavos.htm
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Maria Olimpia Alves de Melo |
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Publicado em 26/07/2010 às 10h06
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