Ora sim, Ora não

Grãos de Areia

 

Meus escritos são como grãos de areia, invisíveis entre outros, mas individuais, como eu.



Textos

Ora sim, ora não

Naquele tempo, a tua roupa tropicalista,
                           (Eu mais diria, psicodélica)
não me causava nenhum transtorno.
                           (Antes diria, sentia orgulho
                                                 nenhum engulho)

Mas, naquela época eu te queria.
         Hoje, não.
                           (Mais que amor, era paixão)

Se não tiras esta gravata listada
                     esta camisa de amricano apatetato
                     esta calça de brim axadrezado,
tenha dó,
                contigo não falo não!
                           claro que não.

Sou uma moça burguesa
                        de classe média
e minha família é distinta.
  Tenho que zelar por minha reputação,
   que não sou puta, nem atração
   de praça pública, palhaço não.

E ainda este sapato branco
                     paletó avermelhado
                     (e acetinado)
                      charuto de encruzilhada
                      chapéu de luto!
Tenha dó, irmão
                          não dá mais não
acho melhor eu dar no pé:
tudo dpende de ocasião.   
                   


(uma historinha bem antiguinha e tirando fora as licenças poéticas, quase verdadeira)

De meu livro inédito de poemas Com meus olhos de sombra

Maria Olimpia Alves de Melo

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Publicado em 30/07/2010 às 10h19


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